• Equipe Paka-Tatu

Os sons da história


Ela empresta a voz para os personagens de uma reserva ecológica – Perereca, Anta, Sapinho, Macaco… estão todos ali, animados e divertidos na versão interativa do livro “O Sapinho Guloso”, de Rufino Almeida. Com timbre próprios e muita personalidade, eles ganharam sonoridade com a jornalista e leitora apaixonada Ramayana Torres.

Ramayana integra a equipe que desenvolve o projeto da “Coleção O Sapinho Guloso”, da Editora Paka-Tatu. A Coleção é baseada no livro impresso “O Sapinho Guloso”, que ganhou novos exemplares com as versões digitais em português e inglês, além dos cadernos de exercícios contextualizados com a história do Sapinho e sua turma. São atividades voltadas para crianças do 1º ao 4º ano, ligadas aos temas de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências – Saúde e Meio Ambiente (mais detalhes aqui).


Na entrevista a seguir, você confere um pouquinho sobre o trabalho de dar voz a personagens da natureza.


Como foi esse encontro de uma jornalista e locutora com a história de um livro infantil? Como jornalista, acredito que a leitura é essencial para construção da personalidade e para o desenvolvimento intelectual, ético e estético de cada criança. E o simples fato de utilizar a minha voz para despertar a imaginação, por meio da emoção das palavras, me deixa maravilhada e honrada em participar desse projeto que não só apresenta mais uma literatura infantil, como também possibilita às crianças o contato e o gosto pelos autores regionais.


Qual foi a primeira voz que fizeste? A primeira voz que fiz foi a do Sapinho guloso. Por ele ser bastante folgado, comilão e por ser um personagem da realidade amazônica, dei a ele características de um nortista após ter tomado açaí (ficamos sonolentos e nos dá preguiça até de falar). Por isso a fala dele é um pouco fechada.


Houve todo um processo criativo para dar voz à cada personagem. Como foi cada etapa, quanto tempo levaste, qual foi a mais difícil…? Primeiro eu li a história, identifiquei os personagens que possuíam falas, isto é, os personagens principais. Em seguida analisei as falas, as ilustrações do próprio livro impresso, procurei registros de animações que servissem de inspiração e, então, cheguei às características deles.


Nesse processo de criação do personagem levei cerca dois dias pesquisando, mas seu pudesse destacar um personagem mais difícil, sem dúvida, listaria a Anta como a que deu mais trabalho no processo criativo. [Nas minhas pesquisas], eu não encontrei nenhum registro de fala [desse animal] em animação.


O que levaste em conta na hora de criar a voz de cada personagem? A hora da contação da história torna-se um tempo de cumplicidade entre o locutor e a criança (receptor). É quando elas experimentam o lado lúdico das coisas e exercitam a capacidade de imaginar e imaginar-se personagem da história.


O processo de criar a voz de cada personagem possibilita entreter e encantar essas crianças. O fato de modificar a entonação da voz de acordo com cada personagem que aparece na história passa credibilidade e a capacidade de distinguir as características de cada um deles. Outro ponto importante no livro do “O Sapinho Guloso” é que, na hora das falas do narrador, apresento a voz padrão, isto é, uma voz linear para que a criança sinta e perceba quando começa e quando termina a fala do personagem.


Mais do que imprimir sonoridade aos animais, há personalidade a cada um deles. Como foi esse processo de criação? À medida que avançávamos na gravação, eu pensava em como seria cada personagem, por exemplo: a Perereca, na ilustração, utiliza uma saia rosa e um óculos cheio de estilo, então me inspirei em uma personagem uma personagem bem metida, cuja voz é estridente e cheia de ondulações afrescalhadas, se assim posso dizer.


No caso do Macaco, havia uma expressão nordestina em uma de suas falas na versão impressa do livro, por isso dei a ele a característica forte do sotaque nordestino. Para o Papagaio, me inspirei na fala do animal em si, por ele conseguir reproduzir a fala humana como se fosse um gravador de voz. Já para o Beija-flor dei uma voz doce, de criança, por se tratar de um ser delicado e pequeno. E, por sua vez, a trabalhosa Anta, que devido a sua grande tromba, pensei em dar a ela uma voz anasalada e pouco rasgada, com características  de pessoas que falam muito alto, quase gritando.   


E o processo de contação da história? Já tinhas feito algo do tipo, antes do lançamento da Coleção na Livraria da Fox Belém (confira)? Como foi pra ti? A profissão ajudou bastante, pois como jornalista já contei muitas histórias reais, e por adorar crianças, lidar com elas foi fácil, me sinto bem a vontade com os pequeninos. Já havia feito outros trabalhos em colégios de Belém, e também em Macapá, ambos voltados para o público infantil, mas no espaço da Fox foi a primeira vez.

Posso dizer que foi apaixonante ver aqueles olhinhos brilhando e eles encantados a medida que eu fazia as vozes dos personagens do livro. E quando após a contação eu dizia que havia a versão digital do livrinho eles corriam interessados em conhecer a ferramente e depois voltavam perguntado: – É você que fala lá também. Outros bem pequenininhos diziam: – Você é a perereca!!!. Achei lindo da parte deles.

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