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"Esse rio é minha rua", o livro!

Esse rio é minha rua, o livro


Por Jotabê Medeiros




Esse Rio é Minha Rua, a estreia de Ruy Antonio Barata em livro solo de não ficção, é um assombro por diversos motivos: o sabor íntimo da narrativa, a pulsão poética das histórias, a consistência do texto e das visões, a funda consciência política e social, a clareza política e histórica. O inventário de qualidades da obra desse paraense de Óbidos se apresenta não para satisfazer o apetite trivial da vaidade literária, mas para contar uma história real e vertiginosa de um Pará que raros viveram – e mais raros ainda conseguiriam descrever, com tal presença de espírito, essa reconstituição de memória.


O livro percorre mais de meio século de desenvolvimento de uma consciência regional e universal. Uma explicação de como a Guerra Fria, a Segunda Guerra Mundial e as batalhas políticas e militares no Brasil influíram na formação social e cultural do Norte do País.


As palavras descobrem um outro Brasil. Peraus, por exemplo, são abismos traiçoeiros que emboscam viajantes em rios caudalosos ou margens misteriosas. A sobrevivência dos netos de Alarico Barata, pioneiro advogado de presos políticos e dos direitos humanos, e Noca Barata, de seu único filho, Ruy (e de sua amada, Norma), adquire duplo significado nesses peraus, esses abismos: o da sobrevivência física e também simbólica.


Nascido numa casa cujo quintal tinha o Rio Amazonas passando ao fundo, Ruy Antonio revisita a história do avô e do pai em progressão épica. Ruy Barata pai, advogado, professor, poeta e comunista, equilibrou-se entre as contendas políticas do pai, Alarico, sempre em embate contra o autoritarismo de regimes autofágicos, e a idealização artística de um sonho nativista, movimento que o levaria a criar, com o irmão de Ruy Antonio, o compositor Paulo André Barata, grande parte dos fundamentos da moderna música paraense.


Esse Rio é Minha Rua


Lançamento: 6 de março, 18h


Livraria da UFPA no Complexo dos Mercedários


Boulevard Castilhos França defronte da Estação das Docas.

 
 
 

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