Amazônia entre ensaios 2: Dalcídio Jurandir

Amazônia entre ensaios 2: Dalcídio Jurandir

REF: 9788578034726
R$ 30,00Preço

De Luís Heleno Montoril del Castilo, Ilton Ribeiro dos Santos, Paulo Maués Corrêa e Sheila Maués Autiello (orgs.)

 

 

Nesta coletânea, o escritor Dalcídio Jurandir e sua literatura são o centro a partir do qual as linhas interpretativas são traçadas para compor os ensaios. Com indiscutível relevância, Dalcídio Jurandir, por meio de sua literatura e de sua atividade como intelectual, proporcionou aos autores uma excelente intermediação simbólica para entender assuntos relativos à literatura, à arte, à cultura e à sociedade de uma certa Amazônia, aquela de um processo modernizante e ethos cultural de modernidade nas “selvas” e também de diversidade cultural com enfoque ambivalente e artístico.

 

No texto de Dione Colares de Souza, tem-se a brilhante captura de uma forma alegorizante, o piano, no romance Belém do Grão-Pará, de Dalcídio Jurandir. Tal forma figura o processo de transplantação da cultura europeia na cidade de Belém do Pará e seus desdobramentos

socioculturais apresentados a partir do microcosmo de uma família decadente da época da borracha.

 

Ilton Ribeiro dos Santos escreve também sobre alegoria no romance Belém do Grão-Pará, de Dalcídio Jurandir, apresentando-a a partir de uma inovadora volta de parafuso interpretativo em que a narrativa dialoga com a capa da primeira edição do romance, a gravura do artista amazonense Percy de Mello Deane.

 

Josiclei de Souza Santos percorre o caminho do personagem Alfredo, com inserções do ativismo do escritor Dalcídio Jurandir, para confirmar que os passos de quem o segue tornam-se ambíguos. Tal ambiguidade está presente na forma pela qual Dalcídio Jurandir narrou em ficção a questão identitária do branco e do negro nesse personagem, em que o desejo de embranquecer resultou em afirmação de sua afrodescendência.

 

Luiz LZ Cezar Silva dos Santos extrai, com singular acuidade de quem está na fronteira entre literatura e publicidade, as memórias publicitárias do cotidiano de uma cidade de Belém, do contexto da época do romance Belém do Grão-Pará, de Dalcídio Jurandir. Principalmente, o autor percorre a cidade com a literatura, a compor o itinerário de sua

publicidade.

 

Paulo Maués Corrêa impressiona com a semiose dos nomes de certos personagens de alguns romances de Dalcídio Jurandir. Acercandose de Freud e Barthes, o ensaio pontua relevâncias a aspectos invisíveis contidos nos nomes, muitas vezes desapercebidos por quem se prende somente ao enredo de uma narrativa. Principalmente, são esses pormenores que alçam mira de suplemento ao todo monumental da grande obra do romancista.

 

Paulo Nunes percebeu bem a condição fronteiriça do escritor peixe-frito e do escritor engajado nas lutas políticas de seu tempo, entre literatura e vida social. Em seu ensaio, o escritor Dalcídio Jurandir é posicionado a partir de sua narrativa como atividade da vida social, bem como de dramas humanos realizados em literatura sem prejuízo da arte ficcional. Importante destacar o trecho de citação de Câmara Cascudo: “... feito de verdade cotidiana...”.

 

Stélio Rafael Azevedo de Jesus toca em dois temas dos mais sensíveis da obra do escritor, memória e melancolia em Alfredo, no tocante ao romance Chove nos campos de Cachoeira. Nesse ensaio, Literatura e Filosofia são visitadas para ressaltar a densidade de uma personagem de ficção que carrega consigo um drama universal do humano, a corrosão

do tempo e a morte.

 

Com desejo de que Makunaíma incandesça...

Boa Leitura!

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